Autor capão-bonitense Felipe Baiá lança seu primeiro livro durante programação de aniversário da cidade
Por Wagner D´Antonio
LANÇAMENTO DE LIVRO | Em meio às comemorações pelos 169 anos de Capão Bonito, a Prefeitura, por meio da Divisão de Turismo, promoveu no último sábado, 25/04, um Sarau Literário especial que marcou o lançamento do livro “Antes do Mundo Ser Longe”, do autor capão-bonitense Felipe Baiá.
O evento, realizado na Biblioteca Municipal “Profº. Mário Gemignani” integrou a programação oficial de aniversário do município e reuniu público, literatura e momentos de troca de experiências, evidenciando a força da produção cultural local.
A iniciativa proporcionou um ambiente acolhedor para leitores, escritores e apreciadores da arte literária, destacando a importância da leitura como ferramenta de conhecimento, reflexão e transformação social. Durante o evento, o público teve a oportunidade de conhecer mais sobre a obra e a trajetória do autor, além de participar de um momento de valorização dos talentos da cidade.
O prefeito Júlio Fernando, acompanhado da primeira-dama Ana Luiza, além de autoridades e convidados, esteve presente no sarau e parabenizou Felipe Baiá, seus familiares e todos os envolvidos na realização do evento.
Em sua manifestação, destacou a relevância de iniciativas que incentivam a cultura e fortalecem a identidade do município.
A obra “Antes do Mundo Ser Longe: uma viagem pelo que não cabe nos mapas” apresenta uma narrativa que vai além das viagens geográficas, propondo reflexões profundas sobre vivências, trajetórias pessoais e diferentes formas de enxergar o mundo.
O livro aborda não apenas deslocamentos físicos, mas também travessias internas, explorando temas como desapego, espiritualidade, política e identidade.
Segundo o autor, a proposta da obra é convidar o leitor a uma jornada que ultrapassa fronteiras tradicionais. “É um livro sobre atravessar fronteiras — externas e internas. A travessia não se limita às estradas ou aos carimbos no passaporte, mas se constrói nos encontros, nos olhares compartilhados e nas descobertas silenciosas sobre quem somos e quem podemos nos tornar”, destacou Felipe Baiá.
Engenheiro agrônomo, montanhista, motociclista e viajante, o autor viaja sozinho desde 2013 e já percorreu quatro continentes.
O livro, seu primeiro trabalho publicado, reúne relatos produzidos ao longo de dois anos, marcados por experiências intensas, encontros marcantes e o contato com diferentes culturas ao redor do mundo.
Trechos da obra revelam a profundidade das experiências vividas, como momentos de superação física em trilhas desafiadoras, reflexões diante de paisagens imponentes e encontros com realidades diversas, como campos de refugiados e comunidades locais. Esses relatos reforçam a proposta do livro de provocar no leitor uma reflexão sobre pertencimento, empatia e transformação pessoal.
Os exemplares de “Antes do Mundo Ser Longe” estão disponíveis na Biblioteca Municipal de Capão Bonito, ampliando o acesso da população à obra. Além disso, o livro também pode ser adquirido por meio do site da editora.
Para adquirir: https://editoracomala.com.br/livro/antes-do-mundo-ser-longe/
O lançamento reforça o compromisso do município em incentivar a cultura, promover a literatura e valorizar artistas locais, consolidando eventos como o sarau literário como espaços importantes de expressão, diálogo e construção coletiva do conhecimento.
Trechos
“Ainda imerso no papel de espectador, não me sentia à vontade para falar sobre mim. Estava atento, tentando entender o contexto das histórias que surgiam ao nosso redor. Quando nos aproximávamos de Zubiri, a descida íngreme e cheia de pedras soltas fazia com que meus olhos se cerrassem a cada passo, na tentativa de amenizar a dor que se espalhava pelo corpo. Janetta, percebendo meu desconforto, ofereceu parte de seu corpo como apoio, me guiando com uma calma que me dava tanto equilíbrio quanto força para continuar.”
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“Ao cruzarmos o portão do parque, era como atravessar uma fronteira interna. Naquele instante, a montanha — um vulcão adormecido com quase 5.900 metros de altura — deixava de ser paisagem e se tornava desafio. O nome do pico, Uhuru, que significa “liberdade”, ecoava com força nos meus pensamentos. E ali estava eu, no continente que me ensinava tanto, prestes a subir até onde as nuvens se curvam à presença da neve — uma visão quase surreal em solo africano.”
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“Ao voltar da fronteira, ainda com a cabeça fervilhando pelo impasse, vi uma placa discreta indicando a direção de um campo de refugiados. Sem pensar muito, desviei da rota principal e segui a estrada de terra batida. Se Myanmar estava fora do alcance, essa era uma chance real de me aproximar de quem já havia cruzado a fronteira — gente que trazia na pele as marcas do que eu não podia ver com os próprios olhos.”














