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Secretaria de Educação pede apoio de pais na estimulação de estudantes em tempos de pandemia

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA – A rotina na casa das famílias de Capão Bonito mudou radicalmente nos últimos meses.

Os estudantes tiveram um 2º bimestre 100% remoto e vários pais também estão enfrentando o grande desafio da Educação em tempos de pandemia.

As aulas de muitas crianças e adolescentes continuam, de modo virtual, e todos da família precisaram se adaptar ao novo modelo.

A educação a distância (através de plataforma ou com entrega de kits e material impresso) proporciona uma nova realidade nos lares do município, com várias possibilidades e problemáticas.

Esse cenário deve continuar, pelo menos até setembro. Enquanto isso, pais dividem opiniões sobre o modelo on-line e especialistas dão dicas de como ter um bom aprendizado por meio da internet ou aplicativos como whatsApp.

A principal dificuldade diagnosticada através de relatórios de escolas do município é com a rotina. Relatos de pais de Capão Bonito refletem a transformação gerada pelo ensino virtual.

“Para os alunos mais novos, como houve uma quebra do cotidiano escolar, há uma dificuldade de compreender que é hora de deixar de brincar para realizar as atividades. Quando estão na escola, os alunos entendem o fato de que ter tarefa faz parte da rotina escolar. Agora que isso foi quebrado, nem sempre eles compreendem a necessidade das tarefas, mas fazem”, destaca a diretora de Divisão de Educação Infantil – profa. Mariane Martins Rodrigues.

Apoio do Conselho Tutelar – Recentemente, Secretaria Municipal de Educação e Conselho de Educação iniciaram uma Campanha de Conscientização com o objetivo de ampliar a busca de apoio dos pais na estimulação do aprendizado durante o isolamento.

Essa campanha terá novos desdobramentos através dos canais de comunicação da cidade nos próximos meses.

“É um momento de questionamentos. Os pais se perguntam o que podem fazer para suprir a carência do ensino regular das escolas? É preciso dar aula em casa para que o cérebro das crianças se mantenha ativo? Ensinar a ler e a escrever se era isso que elas aprendiam na escola? Cobrar que escolas mandem atividades de apoio? Acredito que o parecer técnico/pedagógico neste momento é não tratar o período como férias, mesmo com a antecipação do recesso no calendário. Condições normais de um período de férias pressupõem confraternização com amigos, passeios e viagens, que não poderão ser ofertados como opção de ocupação e lazer das crianças. O período é atípico, de pausa e recálculo de rota. E deve ser aproveitado em suas oportunidades educativas, mas sem estresse desnecessário. Nunca precisamos tanto do apoio dos pais como agora. É a hora de realmente fazer uma força tarefa para mitigar impactos da pandemia – famílias e professores unidos”, destacou o secretário de Educação Wagner Antonio Santos.

Para a diretora do Centro Educacional “Paulo Freire – profa. Andreia Dias, os pais também precisam de acolhimento e orientações, neste momento.

“Temos, de um lado, escolas que entendem que os pais querem conteúdo e professores se esforçando muito em produzir atividades extras para atender esta demanda; de outro, pais ansiosos que se veem na obrigação de virar professores sem ter a competência, e tendo que se desdobrar na função com o home office e angústias do momento. Nada disso é necessário. O pai não deve se tornar professor do filho, mas tem, neste momento, uma grande oportunidade de desenvolver com eles habilidades como paciência, concentração e aprender a lidar com frustrações, que são importantes para a vida e também no retorno às atividades normais da escola”, explica Andreia Dias que vem estimulando capacitações para ajudar tanto diretores, como professores e pais a enfrentarem os desafios educacionais impostos pela pandemia.

Passado o momento da autocobrança, educadores de Capão Bonito dão o caminho das pedras para um tempo em família mais equilibrado, com a definição de uma rotina que prevê para as crianças não apenas horários fixos para o estudo dirigido, como também momentos regulares para a prática da leitura, de atividades físicas e de tarefas domésticas.

“As crianças devem assumir responsabilidades na casa, e não achar que estão em um local servidos por seus pais. É importante prever momentos de ócio e brincadeiras, em que as tais habilidades emocionais e sociais que estão fora do currículo escolar também podem ser estimuladas. Muitas destas habilidades, que em outra época eram aprendidas naturalmente, hoje já não são mais desenvolvidas, seja pela falta de tempo de pais com filhos ou pelo uso das tecnologias e hábitos culturais recentes, como se conseguir tudo o que se quer, de imediato. Neste sentido, até ver um filme em família na tv, combinando que ninguém irá ver notificações do celular naquele período, pode dar às crianças uma noção de paciência, de que uma coisa vem de cada vez, que é importante para a escola e para a vida, além de fortalecer os vínculos emocionais entre pais e filhos”, acrescentaram os orientadores educacionais do Centro Paulo Freire – profa. Silvia Moreto, prof. Roberto Gabay e profa. Simone Petreca.

ALGUMAS DICAS PARA OS PAIS

  • – Aproveite o período para desenvolver habilidades cognitivas importantes das crianças, como ensiná-las a passar por dificuldades, a controlar as emoções ou a colaborar em casa e com o outro.
  • – Seu filho precisa de uma mãe e um pai, não de um professor. Não ache que você cumprirá este papel em casa, você pode nem ter esta habilidade, mas é importante o estimulo na execução das atividades propostas pelas escolas. Quando as escolas voltarem às suas atividades, elas criarão estratégias para reposição de conteúdos curriculares em Capão Bonito.
  • – Você pode desenvolver, no dia a dia, competências que ajudarão a criança no retorno da rotina escolar, sem que ela perca o que já foi aprendido nem o preparo cognitivo. Ela pode fazer atividades que desenvolvem a coordenação motora fina, por exemplo, ou a concentração. Troque bilhetes, estimule seu filho a escrever um diário, peça que ele escreva a lista de compras, crie brincadeiras com números.
  • – Não trate, contudo, o tempo em casa com as crianças como se fossem férias, que pressupõem atividades e posturas que não possíveis agora. Converse com seu filhos e crie com eles uma rotina regular e equilibrada de estudos, atividades não escolares e ócio.
  • – Horários de refeições e banhos não precisam estar no cronograma definido. É importante, no entanto, definir a hora de dormir, que ajudará na rotina proposta, permitirá que o cérebro da criança descanse e se prepare para o aprendizado e ainda dará aos pais uma pausa para uso próprio.
  • – Estabeleça um período para os estudos, que não poderá ser negociado e procure ajudar nas tarefas na medida do possível. De preferência, que seja num horário correspondente ao turno praticado nas escolas. Tem mais de um filho e eles estudam em turnos distintos? Acorde com eles uma hora única para as atividades.
  • – O período de estudos, em que crianças e adolescentes podem, por exemplo, desenvolver atividades propostas (se for o caso) pelas próprias escolas ou fazer exercícios do conteúdo aprendido, não precisam ser equivalentes em duração ao período escolar. De uma a duas horas de estudo dirigido bastam.
  • – Para além do horário de estudo dirigido, estabeleça com seus filhos períodos fixos e regulares, ao longo do dia, para atividades como a leitura, atividades físicas e responsabilidades domésticas.
  •   Mantenha as crianças em movimento e fazer com que eles pratiquem atividades físicas, mesmo dentro de casa, é essencial. Você pode propor uma brincadeira de circuito, dança ou até esconde-esconde.
  • – Pelo menos duas vezes por semana e de acordo com a faixa etária de seu filho, proponha atividades de leitura diárias de 20 a 30 minutos. Crianças não alfabetizadas podem escutar uma história contada por alguém da família ou assistir a lives nas redes sociais de bons contadores de histórias.
  • – Não associe a atividade de leitura à rotina de estudos, como se fosse uma atividade maçante, e sim ao prazer. Desvincule o horário da leitura do momento em que a criança se envolverá com atividades da escola.
  • – A rotina de estudos deve ser praticada de segunda a sexta-feira, com uma flexibilização maior de horários (para dormir, por exemplo) nos fins de semana. É importante manter a sensação do fim de semana e da pausa para relaxamento.
  • – Limite o tempo seguido de tecnologia. Para crianças menores, meia hora é o tempo máximo a ser permitido. Para adolescentes, uma hora sem parar é o limite. Intercale a tecnologia com atividades do mundo concreto.
  •   Use parte do tempo em casa para atividades em família, como brincadeiras e jogos coletivos e conversas. Pergunte como seus filhos se sentem e dividam com eles medos e angústias.
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