O início de um novo ano costuma trazer planos, metas e expectativas. Janeiro, além de simbolizar recomeços, também é marcado pelo Janeiro Branco, campanha nacional, criada em 2014, dedicada à conscientização sobre a saúde mental e ao incentivo do cuidado com as emoções ao longo de toda a vida. Mais do que uma ação pontual, o movimento propõe um compromisso contínuo com o bem-estar emocional da população.
Nos últimos anos, o adoecimento emocional tem se tornado uma realidade cada vez mais presente e visível. Dados apresentados no Manifesto Janeiro Branco 2026apontam que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo convivem com algum tipo de transtorno mental, e que 1 em cada 8 pessoas apresenta sintomas clínicos de ansiedade, depressão ou estresse crônico. Esses números evidenciam que a saúde mental se consolidou como um dos grandes desafios da sociedade contemporânea.
No Brasil, esse cenário também se reflete de forma significativa. A saúde mental passou a figurar entre as principais causas de sofrimento social, impactando diretamente famílias, ambientes de trabalho, instituições e a convivência comunitária. De acordo com os dados reunidos no Manifesto, os transtornos mentais e comportamentais estão entre os principais motivos de afastamento do trabalho, ultrapassando 440 mil casos em um único ano, com destaque para os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos.
Outro dado relevante apresentado pela campanha revela uma mudança importante na percepção social: 54% dos brasileiros consideram a saúde mental o maior problema de saúde do país, superando inclusive preocupações com doenças físicas. Esse dado sinaliza um avanço no reconhecimento de que o sofrimento emocional não é uma questão individual, mas um tema coletivo, que exige atenção, diálogo e políticas de cuidado.
Cuidar da saúde mental é, portanto, um compromisso que ultrapassa o âmbito pessoal. Quando as pessoas têm acesso à informação de qualidade, espaços de escuta, acolhimento e apoio adequado, fortalecem-se os vínculos sociais, melhora-se a qualidade de vida e constroem-se relações mais saudáveis e empáticas. Promover saúde mental é promover dignidade, participação social e desenvolvimento humano.
O Manifesto Janeiro Branco 2026 também chama atenção para o impacto do sofrimento emocional no mundo do trabalho. Estima-se que cerca de 30% da população economicamente ativa apresente sintomas compatíveis com burnout ou sofrimento psíquico ocupacional, o que afeta diretamente a produtividade, o clima organizacional e a saúde coletiva. Esses dados reforçam a importância de ações preventivas e de cuidado contínuo.
O Janeiro Branco reforça a necessidade de falar sobre sentimentos, reconhecer limites e buscar ajuda quando necessário. Promover saúde mental não significa apenas tratar doenças, mas criar condições para que as pessoas vivam com mais equilíbrio, consciência emocional e bem-estar ao longo de toda a vida. Trata-se de investir em prevenção, educação emocional e fortalecimento de redes de apoio.
Que esta campanha nos lembre que investir em saúde mental é investir nas pessoas. E cuidar das pessoas é, acima de tudo, fortalecer a sociedade, promovendo relações mais saudáveis, ambientes mais humanos e uma convivência social baseada no respeito, na escuta e na responsabilidade coletiva.
Maria Goretti da Silva
Psicóloga – CRP 06/149116
SerMentes – Espaço que transforma inquietação em ação consciente
e promove Saúde Mental de Janeiro a Janeiro.







