FALECIMENTO – Capão Bonito perdeu nesta quinta-feira, 25/11, o dr. Antonio do Amaral Queiroz Filho.
O prefeito Júlio Fernando decretou luto oficial de 5 dias pela irreparável perda.
Dr. Antonio Amaral era um grande advogado, comunicador/radialista, colunista e participou de forma intensa da história do município.
Atuou na defesa do júri no caso da absolvição de um surdo-mudo, no início da década de 80 que teve repercussão nacional, entre diversos outros trabalhos elogiados.
Foi vereador pela cidade, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do município.
Foi um dos líderes da campanha vitoriosa do médico Raul Venturelli à prefeitura. Também disputou por duas vezes eleição para prefeito.
Foi também colaborador do jornal O Bandeirante, com diversos artigos publicados.
“Sempre tive muito carinho e respeito pelo querido dr. Antonio Amaral e deixo à sua família e amigos nossos sentimentos”, afirmou o prefeito Júlio Fernando.
O velório será realizado na Funerária Camargo, Rua Marechal Deodoro, 522 – centro, no período das 09:00hs ás 13:00hs de sexta-feira, 26/11, e o sepultamento ocorrerá no Cemitério Sagrado Coração de Jesus.”
Biografia – Nascido em Capão Bonito em 1937, Antônio Amaral é filho de Antônio e Malvina Oliva, e nunca escondeu o orgulho dos pais.
Amaral passou uma infância comum, assim como os demais meninos da época. Antes mesmo de entrar na fase adulta, se apaixonou pelas ondas do rádio.
Gostava tanto daquele tipo de comunicação, que se transformou num dos melhores radialistas que passou por Capão Bonito.
Com uma voz acentuada e agradável, conquistou milhares de ouvintes capão-bonitenses, tanto da zona urbana como na rural.
Seu nome ganhou notoriedade e em 1959, decidiu concorrer a uma vaga no Legislativo, mesmo sabendo que naquele tempo, o vereador não tinha salário, era um legislador voluntário.
Conquistou uma vaga na Câmara Municipal e foi um dos líderes da campanha vitoriosa do médico Raul Venturelli à prefeitura, mesmo contrariando sua família, que apoiavam Oscar Kurtz Camargo.
Amaral venceu quatro eleições para vereador. Foram 16 anos trabalhando pelo município sem receber um centavo sequer de subsídio ou salário.
Mas, a atuação legislativa lhe rendeu outras riquezas: conhecimento e experiência, que segundo ele, “não se compra em qualquer mercearia”.
Paralelamente à função legislativa, Antônio Amaral trabalhava como auxiliar no escritório do advogado Ismael Estival, e foi ali que aprendeu os primeiros macetes jurídicos.
Foi também colaborador do antigo jornal O Bandeirante e virou amigo pessoal do saudoso jornalista e tipógrafo Queirozinho (Antônio Benedito Queiroz).
A amizade entre os dois era tão intensa que o jornalista, mesmo sendo evangélico, atendeu um pedido do amigo para escrever uma pequena biografia em homenagem ao Papa João XXIII, que virou nome de praça em Capão Bonito, com indicação de Antônio Amaral e justificativa de Antônio Queiroz.
Depois de concluir o ensino normal (Ensino Médio) com apoio do professor Laudelino de Lima Rolim e do também amigo Antônio Roque Citadini – hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo -, Antônio Amaral ingressou no curso de Direito nas Faculdades Integradas de Itapetininga (FII-FKB) e no ano de 1975, já com o diploma de bacharel em Direito, foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP).
Iniciou seu exercício profissional desbravando a Comarca e enfrentando a concorrência de advogados tradicionais e experientes como Celso Tristão de Lima. Não titubeou e aos poucos, foi ganhando seu espaço de forma ética e honesta. Nunca precisou “puxar o tapete” dos colegas de profissão para obter vantagens na profissão.
Sempre destacou o caso de um réu surdo-mudo como uma de suas causas favoritas.
De acordo com ele, o surdo-mudo foi acusado de duplo homicídio (mãe e irmão). Sem condições financeiras para contratar um defensor, o juiz da época nomeou Antônio Amaral para a causa. Percebendo a dificuldade de comunicação do réu, o jovem advogado foi atrás de um intérprete, e achou um padre com as habilidades que necessitava.
O caso virou assunto nacional, depois de uma reportagem transmitida pela Rede Globo. Amaral mergulhou de cabeça na defesa. Investigou a vida do acusado e percebeu que o réu era, na verdade, vítima. Com auxílio do intérprete, conseguiu a absolvição do surdo-mudo.







